Viagem ao centro da Terra I

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No dia seguinte (15/03), saímos de Apiaí/SP e fomos até o bairro Serra (Iporanga/SP) pela Serrinha localizada no Vale Ribeira, até a Agência que iria nos levar para as Cavernas do PETAR, já havíamos feito reserva para dois dias de atividades, portanto já estavam nos esperando. A Ecocave fica no quilômetro 13 da Rodovia e a 4km do Núcleo Santana, onde iniciaríamos nossas atividades.

Serra de Apiaí à Iporanga

O PETAR possui 300 cavernas catalogadas e apenas 12 estão abertas hoje para visitação, divididas em quatro Núcleos, o Santana, Ouro Grosso, Caboclos e Casa de Pedra. Atualmente está sendo refeito o Plano de Manejo do Parque e provavelmente outras cavernas se tonarão acessíveis ao público.

Para dois dias de atividades, num grupo de duas pessoas, o valor fica em R$ 153,00 por pessoa, conforme vai aumentando o número de pessoas o valor vai diminuindo, isso inclui capacete e lanterna (equipamentos obrigatório para as visitações), e não é permitido usar equipamentos pessoais.

Chegamos na Agência era um pouco mais de 9 da manhã, são 27 km da cidade de Apiaí por estrada de terra, com subidas e decidas bastante sinuosas. A partir de lá fomos acompanhados pela Sônia, condutora da Ecocave que nos conduziu nos dois dias de atividades. No Parque não é permitido entrar sem o acompanhamento de um condutor, portanto nem adianta chegar até o portão sem ter contratado o seu condutor, que pode ser através de uma agência ou um condutor autônomo. A vantagem de ser por agência é o seguro, que um condutor autônomo não lhe oferece.

Fomos de carro, eu Marlon e Sônia, até o Núcleo Santana onde é feito o credenciamento dos visitantes no portão de entrada, logo mais abaixo do portão, na saída das trilhas que levam as cavernas, é anotado pelos funcionários do Parque o horário e quantas pessoas estão entrando com cada condutor.

Portão de entrada do Núcleo Santana

Após todas as anotações necessárias partimos então à caverna Santana, onde ficamos 2 horas e meia em seu interior. Não sei se saberei explicar tudo que vi, é um mundo totalmente diferente, é surreal, e as fotos não conseguem mostrar nem 10% do que vimos e sentimos lá dentro. A princípio quando entramos e não vi mais a luz da rua, comecei a me sentir estranha, meio zonza, pensei até em retornar, mas para não estragar o passeio, fui me controlando e seguindo a diante, o ambiente de caverna é totalmente diferente, você não enxerga um palmo na sua frente e a impressão que tinha a cada passo é que ia acabar o ar. Mas tudo isso foi só o primeiro impacto, foi nossa primeira vez dentro de uma caverna, ates disso havíamos apenas entrado em grutas, mas em todas elas víamos a luz da rua. A escuridão total da um certo medo.

Depois de me ambientar com o mundo cavernístico foi como se tivesse me transportado para outro mundo, ou melhor, para o centro da terra. Dentro da caverna Santana é possível subir vários níveis por escadarias feitas pelo próprio Parque, entrar dentro de salões de diversos tamanhos e formatos, o chão no primeiro nível, na entrada da caverna é água (rio que corre dentro dela), já nos níveis superiores é de rocha calcária, formação de todas as cavernas do PETAR.

Vimos inúmeras formações como estalactites, estalagmites, travertinos, cortinas, mas lá dentro possuem outras que ficam dentro de salões que não são abertos para visitação como a flor de aragonita. Em um dos salões nossa condutora nos convidou a fazer um “apagão”, foi com certeza o momento mais emocionante desta atividade, além da escuridão total, presenciamos o silêncio de uma forma nunca antes vivida, o único som que se escuta dentro da caverna são as gotas que caem das estalactites e tocam o chão, é impressionante!

No fundo a entrada da Caverna

estalactites por toda parte

os diversos espeleotemas

um lugar mais apertado…

porta retrato

Tudo isso ficou ainda mais emocionante quando Sônia, nossa condutora, começou a fazer sons tocando nas cortinas dentro do salão. Era como uma percussão, isso numa total e completa escuridão, não tenho palavras para descrever as sensações neste momento, nunca tinha sentido nada parecido, é uma pena que as fotos não conseguem transmitir emoções, nem mesmo o cenário completo desta grande e surpreendente viagem ao centro da terra.

Neste mesmo salão o músico Ermeto Pascoal esteve tirando uns sons a alguns anos atrás, o que veio a quebrar muitas formações milenares, que são completamente sensíveis.

Podemos percorrer 800 metros (percurso aberto a visitação ) dos 7 km que possui esta caverna, de um mundo de conto de fadas!

Ao sairmos de dentro da caverna foi que percebemos que o tempo lá dentro simplesmente para. Ficamos 2 horas e meia no seu interior sem nem perceber. Já era 12:40h e tínhamos a intenção de visitar mais duas cavernas naquele dia ainda. Depois da caverna Santana achei que não precisava mais visitar caverna nenhuma, achando que já tinha visto tudo o que era possível existir dentro de uma caverna, mas eu estava totalmente enganada, como a Sônia já tinha nos dito, cada caverna possui suas particularidades, você não enjoa de visitar, pelo contrário, quando acaba uma você quer logo ir para a outra para saber o que vai encontrar por lá.

Sônia foi novamente no posto do núcleo dar baixa na visita a caverna Santana e entrada na caverna Morro Preto.

Uma pequena caminhada até a boca da caverna e mais uma vez a surpresa, um enorme portal cheio de estalactites gigantes fazem parte da entrada desta caverna, além dos ninhos da aranha marrom por toda a parte, cujo veneno é letal, mas nenhum perigo transmitem se não cutucá-las. Esta caverna é totalmente seca e seu interior é muito diferente da Santana. São 380 metros abertos a visitação onde podemos subir apenas um nível por uma escada. Lá de cima a visão para o portal da caverna é fantástica, é como se estivéssemos em um mirante natural, com uma visão do alto e de frente para sua abertura.

passagens pequenas dentro da caverna

interior da caverna Morro Preto

Portal de entrada vista de dentro para fora

Dentro desta caverna foram encontrados e até hoje ainda se vê, muitos caramujos trazidos por povos primitivos. Na entrada desta caverna foi encontrado também um fóssil pelo pesquisador Ricardo Krone que estudou muito esta região. Lá dentro ficamos cerca de 1 hora caminhando e apreciando sua beleza.

Continuando nossa jornada ao centro da terra, nossa próxima exploração foi a caverna do Couto, que fica bem próxima a caverna Morro Preto. Esta caverna é a única das que visitamos que se entramos por um portal e saimos do outro lado, em outro portal, com se fosse um túnel.

Entramos por um portal pequeno e em seguida descemos uma escada que leva até o rio Couto que corre por dentro da caverna sumindo e ressurgindo do lado de fora em uma cachoeira. Seguimos um pouco o rio dentro da caverna e em seguida entramos em uma espécie de túnel a direita caminhando por mais uns 350 metros até sair do outro lado. Nesta caverna é possível ver um “céu estrelado”, provocado pelas gotinhas que exalam da rocha mãe no teto da caverna. Seu portal de saída nos espera com um belo cenário da mata atlântica. Um visual impressioante!

Portal de entrada

descida até o rio Couto

Rio Couto que corta a caverna Couto

interior da caverna

Saída da caverna

O retorno até o quiosque do núcleo se dá por uma trilha em meio a mata, muito bem preservada e cuidada pelos funcionários e condutores do PETAR, assim como todas as outras trilhas e cavernas que visitamos, não se vê nenhum lixo por todo o caminho. Ao final da trilha damos de cara com a cachoeira do Couto, cujo rio passa dentro da caverna que tínhamos acabado de sair, onde pode-se tomar um revigorante banho.

Cachoeira formada pelo rio Couto que passa dentro da caverna

Depois de tanta adrenalina e emoções a flor da pele o cansaço bateu e o horário também não nos permitia mais acessar nenhuma caverna, pois o Núcleo Santana fecha as 16:00h. Partimos então até a Ecocave para fazer alguns acertos para o dia seguinte e seguimos para a Pousada Gamboa, localizada a 12 km dali e a 1 km da cidade de Iporanga. Esta pousada foi uma ótima escolha, ficamos encantados com o lugar, além de ficar às margens do Rio Ribeira, possui um lago, redário, sala de jogos e TV, um lindo jardim e quartos limpos, cheirosos e de muito bom gosto, tudo o que precisávamos depois de tantas emoções…Isso tudo por R$ 80,00 o casal.

Gamboa Eco Refúgio

O pessoal da Gamboa é muito receptivo e hospitaleiro, fomos recebidos pela Cida com muito sorriso e boa vontade. Naquele dia como não sabia se íamos querer jantar na pousada ela não preparou nada mas nos indicou um restaurante em Iporanga, e sem pedirmos nada, ela ligou para lá para confirmar se estariam servindo janta naquela noite e dizer que iríamos jantar lá. É difícil ver isso em outros lugares.

A janta foi na churrascaria do Abel, pelo visto o único da cidade. Chegamos e já estavam nos esperando com um banquete! Comidinha bem caseira e deliciosa, pra completar um dia espetacular! R$ 13,00 por pessoa para comer a vontade.

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